Não dá nem para acreditar que já fazem 25 anos da abertura do primeiro Rock in Rio. Dá para acreditar menos ainda que minha mãe teve coragem de levar a mim e a minha irmã, então com 11 e 15 anos respectivamente, para assistir o primeiro megashow de música do Brasil. Ainda mais quando diziam que Nostradamus teria previsto que uma catástrofe aconteceria no festival.Lembro que naquela época bastava comprar uma camiseta do evento na boa e velha Mesbla para ganhar um convite para os shows. Então, na tarde daquele dia 11 de janeiro de 1985, devidamente "uniformizados com nossas camisetas", eu, minha mãe e minha irmã fomos de metrô até Botafogo, de onde saia um ônibus direto para a Cidade do Rock.
Pegamos o ônibus vazio, mas no caminho ele foi enchendo, enchendo, até não caber mais gente. Lá dentro, uma prévia do clima de paz que iria rolar no festival. Todo mundocantando, quem tava sentado segurava as bagagens de quem estava em pé. Bagagem mesmo porque tinha gente de tudo que era lugar do país e que literamente se mudou para o local dos shows.
Chegamos lá ainda com o sol a pino. O lugar era uma verdadeira cidade. Tinha tendas que pareciam verdadeiros shoppings centers, se vendia de tudo: roupas, adesivos e etc. O Bob´s era a rede de fast food oficial e refrigerante só se fosse Pepsi.
Ainda estava claro quando o Ney Matogrosso entrou para abrir o festival. Mas confesso que nem lembro dele ou da polêmica troca de roupa que ele fêz em cima do palco. Lembro menos ainda do show do Erasmo Carlos. As primeiras lembranças musicais são da Baby Consuelo e do Pepeu Gomes cantando "Barrados na Disneylândia".
Quando o Whitesnake começou a tocar já devia ser muito tarde, porque não resisti e dormi numa toalha de praia que minha mãe estendeu no gramado. No primeiro dia ainda tinha gramado que depois se transformou num verdadeiro lamaçal por causa das fortes chuvas de verão. Só acordei, ou melhor fui acordado pela minha irmã durante o show do Iron Maiden. Tudo porque eu queria ver o Eddie, mascote da banda.

Eu não entendia muita coisa de música, portanto, independente do que tava tocando, tudo para mim era interessante e principalmente, divertido.
Mas quando o Queen subiu no palco a brincadeira começou a ficar séria. Quem era aquele maluco bigodudo, sem camisa e de calça de lycra branca que parecia hipnotizar as pessoas? Freddie Mercury regia uma multidão como quem rege uma orquestra. Mais de 300 mil pessoas cantando junto "Love of my Life" foi de arrepiar. O melhor show que já vi na minha vida!
Na hora de ir embora não foi a mesma molezinha da ida. Não tinha ônibus suficiente para todo mundo e a gente só conseguiu sair de lá ao amanhecer de táxi, um fusquinha que, além de três, levou também duas amigas da minha irmã.
Não vimos nenhuma briga, nenhuma confusão. As pessoas muito gentis umas com as outras, um verdadeiro clime de paz e amor. Foi tudo simplesmente inesquecível como a musiquinha tema do Rock in Rio de autoria do Roupa Nova:
Todos numa direção
Uma só voz, uma canção
Todos num só coração,
Um céu de estrelas
Se a vida começasse agora,
E o mundo fosse nosso outra vez,
E a gente não parasse mais de cantar,
de sonhar...
Que a vida começasse agora
E o mundo fosse nosso de vez
E a gente não parasse mais de se amar, de se dar, de viver
uou uou
uou uou uou
Rock in rio
Realmente você pode dizer que fez parte da história da música. Parabéns, você sempre terá uma grande história para contar.
ResponderExcluirCaraca...como vc lembra desses detalhes!?! Só me lembro do perrengue da volta...da ida não me lembro nada...E o menino com sinusite que dormiu no colo da mãe? lembra??
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