Nunca fui muito fã do Peter Jackson. A trilogia do "Senhor dos Anéis" e a última versão do "King Kong" não me deixaram muito empolgado com o trabalho do diretor. Mas os dois últimos filmes em que ele pôs as mãos são muito interessantes.O primeiro foi "Distrito 9", dirigido por Neill Blomkamp, do qual ele foi produtor. A história dos aliens que literalmente enguiçam na Terra e acabam obrigados a viver num gueto (o tal Distrito 9) na África do Sul é muito boa. Tem um ar de filme B, mas é muito bem produzido e, como eu li em algum lugar, foi o melhor filme ruim que já vi!
"Meu nome é Salmon, como o peixe. Primeiro nome: Susie. Eu tinha 14 anos quando fui assassinada em 6 de dezembro de 1973."
Com esta frase logo no começo do filme ficamos sabendo quem é a protagonista e qual vai ser o seu destino na história. Ai você pensa assim: "Xii , lá vem mais um dramalhão por ai". Ledo engano! Jackson conseguiu transformar o assassinato brutal de uma garotinha em um filme mágico, com pitadas de suspense, ação e, vá lá, um pouquinho de drama também.
O filme é contado pelo ponto de vista de Susie (Saoirse Ronan), a garota assassinada. É o tal "olhar do paraíso" do título em português. Como o irmãozinho de Susie diz para a avó, é um lugar entre o céu e a terra, um paraíso particular, em que ela consegue ver tudo o que acontece depois da sua morte com sua família e com seu assassino.
Enquanto a família vai se desmoronando já que o pai (Mark Whalberg) não desiste de procurar o responsável pelo crime deixando de lado a esposa (Raquel Weiz) e os outros dois filhos, o assassino (atuação brilhante que rendeu a Stanley Tucci uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante) se sente a vontade para planejar um novo ataque, quem sabe sobre a outra menina dos Salmon.
É lógico que, em se tratando de Peter Jackson, não poderiam faltar efeitos especiais, muitos efeitos especiais, mas que desta vez funcionam direitinho no paraíso de Susie. A cena em que o pai quebra os navios que costumava montar dentro de garrafas com a filha enquanto no mundo de Susie grandes navios engarrafados flutuam num mar revolto e vão se quebrando ao bater nas rochas é linda!
E se não bastasse tudo isso, o filme ainda tem um "plus a mais": a participação de Susan Sarandon como a avó meio bêbada e meio louca que tenta colar os caquinhos que restaram da família Salmon.
Dando uma olhadinha nas críticas descobri que "Um olhar no paraíso" não foi bem aceito por pegar mais leve do que o livro do qual foi adaptado: "Uma vida interrompida" de Alice Sebold. Eu acho que qualquer comparação entre um livro e um filme é covardia, já que o filme vai sempre sair perdendo. E que bom que ele pegou leve (no livro Susie é estuprada e morta, enquanto no filme fica apenas subentendido). Assim Peter Jackson conseguiu fazer um filme que toca em assuntos delicados sem fazer com que o espectador tenha vontade de virar a cara em certos momentos e que, apesar de tudo, ainda faz você sair do cinema feliz!



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